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Cap ou gap? A diferença entre /k/ e /g/ não está na "vibração"

Quem confunde cap com gap, ou curl com girl, costuma ouvir o conselho de sentir as cordas vocais: g vibra, k não. A pessoa coloca a mão na garganta, sente que nenhuma das duas vibra muito, e fica ainda mais confusa.

O motivo: em inglês, o /g/ inicial muitas vezes quase não é sonoro

/k/ e /g/ são oclusivas velares, produzidas no mesmo ponto e do mesmo jeito. Chamá-las de "surda" e "sonora" dá a entender que o /g/ deveria vibrar do início ao fim. Mas, no inglês real, o /g/ no começo de uma sílaba tônica costuma ter uma vibração muito curta e fraca, às vezes nenhuma. Ele se comporta mais como "um k sem aspiração" do que como o g totalmente sonoro do português.

O que realmente distingue cap de gap são outras duas coisas:

Primeiro: o k é aspirado, o g nunca é

O /k/ no início de uma sílaba tônica solta, no momento da liberação, uma rajada de ar nítida — isso é aspiração. O /g/ nunca tem essa rajada.

Teste: coloque a palma da mão a poucos centímetros da boca e diga cap — você sentirá o ar batendo na mão. Com gap, quase nada. É o mesmo teste que funciona para pin e bin.

Segundo: a vogal é mais curta depois do k, mais longa depois do g

O inglês segue uma regra geral: as vogais encurtam antes de consoantes surdas e permanecem mais longas antes das sonoras. O /k/ conta como surda, o /g/ como sonora:

Falantes nativos nunca percebem conscientemente essa pista, mas ela é muito mais confiável do que a vibração, especialmente na fala rápida.

Pares para comparar lado a lado

Diga cada par três vezes seguidas ajustando só duas coisas: no k, um sopro de ar e uma vogal curta; no g, nenhum sopro e uma vogal um pouco mais longa. Pare de procurar a vibração — na velocidade real da fala, ela simplesmente não está lá.

O PHONO lê qualquer texto em inglês pela câmera e marca cada palavra com o AFI, com áudio em inglês americano e britânico para comparar.