"sing" soando como "sin", ou como "sing-gu"? O som nasal /ŋ/ que quase ninguém treina
Quase ninguém treina o /ŋ/ de propósito. A grafia -ng parece tão óbvia que a gente simplesmente lê como está. O resultado costuma ser um de dois erros: reduzir o som a /n/ (sing soa como sin), ou colar um /ɡ/ extra no final (sing soa como "sing-gu"). Nenhum dos dois é o que um falante nativo realmente diz.
É um som próprio, não "n mais g"
/ŋ/ é a nasal velar: a parte de trás da língua encosta no véu palatino (a parte mole no fundo da boca), o ar sai pelo nariz e as cordas vocais vibram. É parecido com o que acontece em palavras como tango ou sangue em português, mas com uma diferença importante: no português, o n antes de consoante costuma nasalizar a vogal anterior sem a língua realmente fechar contra o céu da boca; no inglês, o /ŋ/ exige esse fechamento completo. A diferença entre /ŋ/ e /n/ está só na posição da língua, mas o resultado é um som totalmente à parte, não uma variação do mesmo.
sing /sɪŋ/, long /lɒŋ/, thing /θɪŋ/ terminam com o ar interrompido no nariz, a língua sem se soltar, e nenhum estouro de som depois. Esse é o ponto principal: o g escrito no final de -ng quase nunca é pronunciado como som próprio. Ele só indica qual nasal usar, não que se deva acrescentar um /ɡ/ depois.
Terminações -ing são sempre /ŋ/ puro
singing /ˈsɪŋɪŋ/, running /ˈrʌnɪŋ/, doing /ˈduːɪŋ/ — seja qual for a palavra antes, o sufixo gramatical -ing sempre se lê /ɪŋ/, limpo, sem rabo de g.
Mesma grafia -nger, dois sons diferentes — e existe uma regra aplicável
- Verbo + -er (quem/o que faz a ação): sing → singer /ˈsɪŋər/, hang → hanger /ˈhæŋər/, ring → ringer /ˈrɪŋər/. Tirando o -er, sobra um verbo independente. Aqui o /ŋ/ puro se mantém, sem g.
- Adjetivo + -er (comparativo): long → longer /ˈlɒŋɡər/, young → younger /ˈjʌŋɡər/, strong → stronger /ˈstrɒŋɡər/. Também sobra uma palavra independente ao tirar o -er, mas o comparativo ativa o /ɡ/ — ele fica.
- Palavras que nunca foram formadas a partir de uma menor: finger /ˈfɪŋɡər/, anger /ˈæŋɡər/, hunger /ˈhʌŋɡər/, linger /ˈlɪŋɡər/. Não existe "finge" nem "ange" isolados; o -ng- é simplesmente parte da palavra, então o g também fica.
O teste é rápido: tire o -er e veja se sobra um verbo que se usa sozinho com o mesmo sentido. Sim → sem g. Não (é comparativo, ou já era uma palavra só) → com g.
Um caso fácil de passar despercebido: n antes de k ou g também vira /ŋ/
think /θɪŋk/, bank /bæŋk/, uncle /ˈʌŋkl/, drink /drɪŋk/ são escritas com n, não ng, mas como logo depois vem um som /k/ (articulado no mesmo ponto), o n é puxado para /ŋ/. Não precisa decorar isso como regra separada: o n de think já é a mesma nasal de trás do final de sing.
Como treinar
Diga seguidas sing, singer, finger, longer. As duas primeiras não terminam com g; as duas últimas terminam. Preste atenção se, ao soltar a língua do céu da boca, sai algum som — se sair, é um /ɡ/ a mais; se a língua se soltar em silêncio, está certo.
Não tem certeza se uma palavra precisa desse "g" extra no final? O PHONO lê qualquer texto em inglês pela câmera e marca cada palavra com o AFI, com pronúncia americana e britânica para comparar.