schedule, herb, vase, clerk: aqui não tem regra, só decorando mesmo
Já vimos diferenças sistemáticas entre o inglês britânico e o americano: se o r final é pronunciado, se can't leva /æ/ ou /ɑː/, se o t de water fica mais suave, se o acento de advertisement muda de lugar. Tudo isso são regras — uma vez entendido o padrão, ele vale para um grupo inteiro de palavras.
Só que existe um punhado de palavras que não segue padrão nenhum. Mesma grafia, mas as consoantes, as vogais, até o número de sílabas mudam de um lado do Atlântico para o outro — e a diferença numa palavra não indica nada sobre a próxima. Cada uma precisa ser aprendida sozinha.
schedule — até a consoante inicial é outra
- Britânico: /ˈʃedjuːl/, começa com um som de "ch"
- Americano: /ˈskedʒuːl/, começa com "sk"
Não é questão de vogal tensa ou relaxada, nem de pronunciar o r ou não: são duas consoantes completamente diferentes no início da palavra. Não dá para deduzir uma a partir da outra.
herb — no americano, o h simplesmente some
- Britânico: /hɜːb/, o h é pronunciado com clareza
- Americano: /ɜːrb/, o h desaparece por completo — por isso no inglês americano se diz "an herb", como se a palavra começasse com vogal.
vase — uma vogal completamente diferente
- Britânico: /vɑːz/
- Americano: /veɪs/
Não é diferença de vogal longa ou curta: a qualidade da vogal muda inteira, e até a consoante final passa de sonora (z) para surda (s).
clerk — parece que devia rimar com park, mas no americano rima com work
- Britânico: /klɑːk/, rima com park, dark
- Americano: /klɜːrk/, rima com work, bird
Essa é a pegadinha mais comum: a pronúncia britânica combina justamente com a intuição ("er devia soar como /ɑː/"), mas o americano vai na direção oposta bem nessa palavra.
tomato, leisure, aluminium/aluminum — cada uma muda de um jeito diferente
- tomato: britânico /təˈmɑːtəʊ/, americano /təˈmeɪtoʊ/ — a vogal do meio é completamente diferente
- leisure: britânico /ˈleʒə/, americano /ˈliːʒər/ — a primeira vogal é curta de um lado e longa do outro
- alumínio: a grafia britânica é aluminium /ˌæljʊˈmɪniəm/, cinco sílabas, acento em -mi-; a americana é aluminum /əˈluːmɪnəm/, quatro sílabas, acento na segunda sílaba — até a escrita é diferente
Por que não tem regra: cada palavra tem sua própria história
As diferenças sistemáticas de antes vêm todas de uma única mudança de som, como um rio que se divide em dois braços mas continua correndo na mesma direção por baixo.
Essas palavras são diferentes. Suas divergências geralmente vêm de caminhos de empréstimo separados, reformas ortográficas ou puro acaso regional: schedule entrou no inglês por duas rotas históricas diferentes a partir do grego, se o h de herb sobrevive ou não depende de qual onda de empréstimos do francês a palavra pegou, e aluminium/aluminum é resultado de uma briga ortográfica do século 19 que nunca foi resolvida de fato, com cada lado do Atlântico fixando sua própria versão. Não existe fórmula que permita deduzir uma forma a partir da outra.
Como praticar: parar de procurar lógica e montar sua própria lista de exceções
Para esse grupinho, não vale a pena procurar uma regra — porque não existe. O que funciona: escolher um sotaque de referência, separar essas palavras específicas e treiná-las com áudio de verdade — ouvir a versão britânica, depois a americana, e sentir exatamente se a diferença está na consoante, na vogal ou no número de sílabas. Depois, manter a versão do sotaque escolhido.
Palavras como schedule, vase e tomato não são nada raras, então misturar as versões chama mais atenção do que manter um único sistema o tempo todo.
Não sabe exatamente em qual som a pronúncia britânica e a americana de uma palavra se diferenciam? O PHONO mostra as duas transcrições do AFI lado a lado para qualquer palavra, com um toque para ouvir cada uma — palavras como schedule, herb e vase grudam na memória depois de duas escutadas.